Sonho Real [25/08/2008]
[Post antigo, retirado do meu antigo flog.]
Meia-noite. Ele acorda. Dor de cabeça, prostração. O que terá acontecido?
Se levanta e anda até a janela, ele a encosta. Está frio. Tão sozinho.
Se sente triste, abandonado. De repente vem à memória: o quê eu fiz?! Não acredito.
Se lembra de alguns feixes da noite anterior e novamente indaga-se:
-Por que fiz aquilo?! Ela não merecia. Não merecia!
Um vento abre a janela e corta sua face.
-Eu preciso falar com ela. Preciso saber se ela é capaz de me perdoar.
Corre para o banheiro e troca a roupa. Sai sem, sequer, fechar a porta. Pega o elevador:
-Vamos, elevador – reclama com o elevador como se este pudesse escutá-lo -, vamos!
Liga o carro e não respeita a placa do prédio que adverte “Limite de velocidade: 10km/h”.
Deixa o prédio e carros começam a desaparecer em seu retrovisor. Ele pisa fundo.
Ele está desesperado. Não quer saber de mais nada. Apenas quer desculpar-se, falar com ela novamente.
Corta carros pelo lado direito, invade acostamento. O ponteiro do velocímetro sobe inquietantemente.
O que terá feito para tal desespero?
É logo ali. Ele já avista o prédio dela. Encosta o carro e sai em disparada ao encontro da portaria.
O porteiro já o conhecia de tempos. Ele ia ao prédio freqüentemente. O deixou subir.
Peeeeeeeeeeeen. Peeeeeeeeeeeen. Dedos forçosamente pressionando a campainha.
Ela abre a porta. Ele entra rapidamente pedindo desculpas. Ela se assusta.
-O que aconteceu? – ela pergunta.
-O quê aconteceu?! Como assim?!
-É. Do que você está falando? – questiona assustada.
-Ontem. Ontem eu agi como um cafageste.
-Ontem? Ontem a gente nem se viu. – diz ela, exitante.
-O que? Como é possível? Eu me lembro perfeitamente. Na festa.
-Que festa? Isso deve ter sido um sonho.
-Um sonho? É, um sonho. Será?
-Amor, a gente não se viu ontem e nem me lembro da última festa para a qual fomos.
-Mas… mas parecia tão real.
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